| Foi realizada na semana passada, 10/05, reunião
entre o setor industrial e o Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), sobre a Portaria 1.510/2009,
que criou o novo registro eletrônico de ponto
(REP).
A CNI convidou representantes de Federações
de Indústria, de associações
setoriais e de grandes empresas, com o objetivo
de agregar experiências de sucesso no controle
de jornada e expor ao MTE e à Casa Civil
da Presidência da República, também
presente, diversos problemas que a regulamentação
trará para o setor produtivo.
Na reunião, os representantes do MTE expuseram
que a existência de fraudes no controle
eletrônico de ponto foi a razão para
editar a Portaria 1.510/2009. Também foram
explicadas questões técnicas do
REP e que a finalidade do novo sistema é
tornar os registros fidedignos, gerando segurança
para empresas e trabalhadores.
Em contrapartida, foi exposto pela CNI que o
objetivo de reduzir fraudes é positivo,
mas que a Portaria é irrazoável,
trará custos desnecessários e será
ineficaz para atingir seu fim. Foram citados diversos
problemas, entre eles:
• Parte do pressuposto de que todas as
empresas são fraudadoras;
• Foi editada sem o respeito ao tripartismo
que marca e guia as relações do
trabalho;
• É extremamente complexa e burocrática;
• Não considerou experiências
de sucesso no controle eletrônico da jornada
de trabalho;
• Obriga as empresas a fazer grandes e
desnecessárias compras de novos aparelhos,
sucateando mais de 30 anos de investimentos feitos
em sistemas que continuam funcionando;
• Induz ao abandono das formas eletrônicas
de controle de ponto (inclusive computador, cujo
uso não será mais permitido para
marcação de ponto) e ao retorno
de formas ultrapassadas, como os meios mecânicos
e manuais;
• Obriga a mudança na gestão
do controle de jornada, encarecendo-a desnecessariamente;
• Tende a aumentar a possibilidade de conflito
nas relações do trabalho, prejudicando
a dinâmica moderna de cogestão e
colaboração entre empresas e trabalhadores;
Por fim, a CNI ratificou seu pedido de revogação
ou suspensão da Portaria 1.510/2009 e,
ao mesmo tempo, a criação de um
grupo tripartite para propor modificações
ou nova regulamentação do tema,
com o objetivo de buscar normatização
que dê segurança aos
trabalhadores e às empresas. Entretanto,
o MTE, neste primeiro momento, não se mostrou
propenso a acolher o requerimento, informando
que continuará ouvindo outros setores da
economia e realizando estudos no tema.
As organizações aguardam um urgente
posicionamento do Governo Federal, visto que precisam
definir a realização ou não
de gastos com esta medida. A CNI continuará
envidando esforços contra a Portaria 1.510,
que considera um símbolo do irracional
excesso de burocracia nas relações
de trabalho no Brasil. |